Pensamentos Passageiros sobre Mitos, Deuses e Esparta

Pausando a rotina para lembrar que, antigamente, a fofoca geopolítica envolvia maçãs de ouro e juramentos de sangue.

Às vezes eu paro e fico pensando em como antigamente, bem antigamente, era um pouco mais fácil ter várias visões sobre os mesmos fatos. Eu estava aqui trabalhando e então ouvi tocar uma música que me lembrou de uma história/mito da era grega.

A história de Helena de Esparta, também conhecida por Helena, esposa de Menelau (de Micenas), Rei de Esparta, ou simplesmente como ela é conhecida mais atualmente, como Helena de Troia. A grande maioria sabe pedaços muito superficiais do mito, mas muita gente sabe pedaços quase não tão comentados, principalmente porque vários mitos e lendas se sobrepõem a essa história.

Um desses primeiros mitos fala sobre Helena, filha de Tíndaro, Rei de Esparta, e “afilhada” de Zeus, que é descrita desde o nascimento como a dona de uma beleza lendária e divina, considerada a mulher mais bonita do mundo antigo.
Aqui tem o mito do Juramento dos Pretendentes. Quando Helena atingiu a idade de se casar, dezenas de pretendentes foram a Esparta. Tíndaro, temia que, ao escolher o pretendente, os rejeitados ficassem furiosos e iniciassem uma guerra para tomá-la à força, e este pensamento o aterrorizava. Para solucionar isso, foi proposto o Juramento dos Pretendentes, onde todos juravam proteger o casamento de quem quer que fosse o escolhido.

Mas e a guerra de Troia? Calma, um chifre de cada vez, afinal foi um grande esforço criar toda uma narrativa para justificar um chifre colossal como este, e nem internet tinha na época…

Outra parte do mito continua com o Julgamento de Paris, ?Príncipe? de Troia. Na verdade, se formos contar uma linha do tempo, Paris nem sabia que era Helena e nem fazia ideia de que ela estava causando toda uma confusão por conta de sua beleza. Nesta época, ele era somente um pastor de ovelhas no Monte Ida. Mas pastor de ovelhas, você pergunta, ele não era um príncipe? O fato é que quando Paris nasceu, havia uma profecia (Apolo era um dos patronos de Troia) dizendo que ele traria destruição à cidade (quem imaginaria…) e por isso foi abandonado ao nascer e foi criado por pastores.

Tá, mas como aconteceu de ele ser príncipe e toda a bagunça lá com Esparta? Acontece que, anos depois do casamento de Menelau e Helena, teve o casamento de Peleu e Tétis, pais de Aquiles, e, por razões óbvias, Éris, a deusa da discórdia, não foi convidada. Mas, ainda assim, ela foi e, como vingança, lançou no meio da festa entre as deusas Hera, Atena e Afrodite o famoso “Pomo da Discórdia”, ou seja, era uma das maçãs douradas do Jardim das Hespérides, e nela estava escrito “Para a Mais Bela”. Imagine a confusão. Sem conseguirem decidir entre si, elas pediram a Zeus que decretasse o veredito, e ele, sabendo os problemas que isso lhe trariam, teve uma brilhante ideia: recusou-se a julgar e mandou que as deusas fossem até o Monte Ida, incumbindo ao pastor Paris a decisão. Todas elas ofereceram diversos presentes, favores e proteção contra as outras deusas, porém a oferta de Afrodite, oferecendo o amor da mulher mais bela do mundo se ele a escolhesse, foi o que mais interessou a Paris, e este declarou Afrodite a vencedora.

Veja bem, já havia se passado anos desde o casamento entre Menelau e Helena, eles até já tinham uma filha, Meneleia, então pode-se dizer que é algo bem complicado. Enfim, após tudo isso e mais um pouco, ele é reconhecido como príncipe de Troia e, após reassumir seu lugar na corte, organizou uma missão diplomática até Esparta, como instruído por Afrodite. Em Esparta, ele foi recebido como hóspede ilustre por Menelau e tudo corria bem, algum tempo havia se passado e por ventura da viagem do Rei para o funeral de seu avô, Paris aproveitou-se do ocorrido para recorrer ao favor de Afrodite, “rapitando” e fugindo com Helena para Troia, com isso desencadeando a promessa do Juramento dos Pretendentes, quando Menelau retorna e descobre o que aconteceu.

Ou seja, desde o nascimento se sabia que o fulano era problema e ainda se mostrou um hóspede atroz, que abusou da confiança de seu anfitrião e ainda lhe levou a esposa. Dito isso, nada melhor naquela época do que cobrar um chifre com conquistas militares, comerciais e riquezas. Não pense que toda a questão sobre a Guerra contra Troia foi para recuperar Helena e cumprir um juramento. Claro, tinha também a cobrança pela vergonha e humilhação que o príncipe de Troia, tecnicamente um país estrangeiro, tinha trazido aos gregos, mas também tinham questões políticas e comerciais, que não é o ponto aqui detalhar, mas não podemos dizer que foi somente pelo Juramento. Muitos dos envolvidos na guerra eram figuras proeminentes e muito conhecidas, e esta campanha lhes traria ainda mais prestígio e poder, além, é claro, das riquezas após saques.

Esse chifre deu uma volta para contar que não foi culpa de ninguém além de Paris e dos deuses, né? Mas no fim ainda é uma boa história e fiquei contente em poder parar um pouco o meu dia a dia e escrever estas linhas, advindas deste meu pensamento passageiro sobre o assunto. Gostaria de poder fazer isso mais vezes, mas nem sempre tenho esta disponibilidade e disposição, como já comentei aqui algumas vezes, visto que já faz quase dois anos desde a minha última publicação, nem mesmo as pequenas mensagens que estava escrevendo fiz mais. Espero no futuro poder ter mais momentos como este e, desde já, agradeço a quem vier a ler este texto por sua gentileza, até outra oportunidade.

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